Mundo de Resenhas

Livros, resenhas e o mundo editorial

Muito mais que um clube de leitura abril 8, 2010

Filed under: 1 — L. Prado @ 8:31 pm
Tags: , , ,

 O livro “A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata”, de Mary Ann Shaffer e Annie Barrows, é uma daquelas obras que você abre, folheia um pouco intrigada por causa do título diferente e percebe que se trata de uma narrativa refinada, elegante e muito charmosa. Em outras palavras, pode-se dizer que é um livro para ler e sentir-se imediatamente feliz.

Em janeiro de 1946, Londres respira aliviada com o final da massacrante II Guerra Mundial. A jovem escritora Juliet Ashton aproveita o período para viajar pelo interior e lançar seu novo livro, uma coletânea com os artigos escritos para um jornal, durante a guerra. Ao retornar, recebe a carta de um morador das Ilhas do Canal, uma pequena ilha pertencente à Coroa Britânica. Dawsey Adams comprou um livro do autor Charles Lamb e, na contracapa, havia o nome e endereço de Juliet. Assim, os dois começam uma amizade à distância, via cartas.

É, então, que Juliet é apresentada à Sociedade Literária de Guernsey, um clube que reúne moradores da pequena ilha para ler e falar sobre literatura e, durante a discussão, comer tortas de casca de batata. Entusiasmada com o grupo, que surgiu por causa de um incidente com os alemães, ocupantes da terra durante a guerra, começa a se corresponder com os demais membros da sociedade e, assim, define o tema do seu novo livro.

De forma descontraída e honesta, os personagens trocam informações e experiências vistas e vividas no período da guerra, as mortes, doenças, fome, miséria, falta de esperança. Tanto em Londres quanto em Guernsey, os moradores foram obrigados a se adaptar à nova realidade de horror, e, no pós-guerra, a lidar com um país em ruínas e feridas que precisavam ser fechadas. É uma história linda, comovente e, apesar do clichê, que mostra o real valor de uma amizade.

Serviço:

“A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata”

Mary Ann Shaffer e Annie Barrows

Ed. Rocco

Tradução: Léa Viveiros de Castro.

R$38,00.

Anúncios
 

Eu Mato vs. O Aliciador abril 5, 2010

Filed under: 1 — L. Prado @ 7:54 pm
Tags: , ,

Ao que se parece, o reinado dos autores norte-americanos, famosos por seus livros sobre serial killers e busca desenfreada por suspeitos, pode estar levemente ameaçado. Duas editoras brasileiras, a Record e a Intrínseca, decidiram apostar em autores europeus do gênero, mais precisamente, italianos, e torço para que seus livros caiam na graça do público brasileiro. Sem dúvida, os dois valem muito a pena serem lidos, especialmente, por quem gosta de crimes em série e assassinos astutos.

Assim que terminei a leitura de “O Aliciador” (Record), de D. Carrisi, emendei no livro “Eu Mato” (Intrínseca), de Giorgio Faletti. O título, por si só, preciso e áspero, já diz ao que veio. Porém, nas primeiras páginas, o autor se atém em descrever de forma minuciosa o mapa do Principado de Mônaco, local onde se passa a trama. Fiquei um pouco cansada, deixei o livro de lado por um ou dois dias, pensando que a história não decolaria. Mas a curiosidade foi maior e retomei a leitura. Que grata surpresa!

Giorgio Faletti desenvolve a história de todos os personagens que aparecem na trama, até mesmo os de menor importância, mas que são fundamentais à trama. Passado o estranhamento inicial, gostei bastante da técnica, pois me permitiu maior envolvimento com a narrativa e familiarização com cada um. Como personagens centrais, estão um delegado de polícia francês e um agente especial do FBI, de licença do bureau após a morte inesperada da esposa e, desde então, está radicado em Mônaco.

Numa determinada noite, um homem misterioso liga para a principal rádio do Principado e anuncia que, a partir daquele dia, irá liberar seus demônios. Como? Matando. Ao fundo, ele deixa tocar uma música que tem relação com a vítima escolhida. Os homicídios são cruéis, os corpos ficam desfigurados e ninguém sabe quem pode ser o próximo. Mais uma noite, outra ligação, mais um morto.

O que me chamou atenção, tanto em “O Aliciador” quanto em “Eu Mato”, é a violência e crueldade cometidas pelos assassinos. Ao contrário dos livros americanos, em que os crimes parecem seguir uma lógica feijão-com-arroz, os autores europeus não demonstram medo de evocar o mal maior que existe dentro do ser humano e explorá-lo. Em alguns capítulos de “Eu Mato”, o assassino ganha voz e as cenas que se passam  na casa dele são de fazer gelar. Possivelmente, não é todo leitor do gênero policial que vai adorar o livro. É preciso ter estômago.

Em relação ao final, me surpreendeu, como eu esperava, apesar de ter sido alongado além do necessário. Após a descoberta do assassino, os policiais ainda levam tempos até prendê-lo e, novamente, achei um pouco cansativo. Mas, de forma, geral, a trama ficou muito bem amarrada, ao contrário de “O Aliciador”, em que algumas perguntas tiveram respostas confusas. Mas, vejam, ambos os livros valem muito a leitura. Meus comentários são a efeito de comparação mesmo, já que os temas são semelhantes.

Para finalizar, só fiquei um pouco chateada pelo fato de Giorgio Faletti transformar Frank Ottobre, o agente do FBI, em uma máquina de raciocínio e intuição quase infalíveis. A sensação é de que, se ele nao estivesse ali, a polícia monegasca não teria capacidade de solucionar o crime.

 Serviço:

Eu Mato, de Giorgio Faletti

Itália – venda: 4 milhões de exemplares no país.

Trad.: Eliana Aguiar

Ed. Intrínseca

R$39,90

O Aliciador, de Donato Carrisi

Itália

Trad.: Eliana Aguiar

Ed. Record

R$49,90

 

Concurso “Contos do Rio” – Prosa & Verso

Filed under: 1 — L. Prado @ 5:07 pm
Tags: , ,

   O blog do “Prosa & Verso” postou um lembrete sobre o concurso “Contos do Rio”. Os interessados devem acessar o site e escolher uma fotografia sobre o Rio de Janeiro para inspirar os textos. No sábado, dia 10/4, o resultado estará disponível na versão impressa do suplemento. A partir de então, os participantes terão até o dia 11/6 para enviar seus contos. O regulamento está disponível no site.

 

Desaparecido para Sempre – O que há de melhor em Harlan Coben abril 4, 2010

Filed under: leitura — L. Prado @ 10:47 pm
Tags: , ,

    Comecei a ler os livros de Harlan Coben numa ordem cronológica inversa: primeiro, os mais recentes e, por agora, os publicados há mais tempo. Iniciei e terminei, no feriado da Páscoa, a leitura de Desaparecido para Sempre, lançado em 2002, e editado, agora, pela Sextante Ficção. Sem dúvida, é o melhor thriller do autor.

A obra tem a excelente característica de fugir de alguns temas-padrão adotados por Coben em outros livros. O personagem principal, Will Klein, precisa encontrar o irmão Ken, acusado de assassinato e desaparecido há 11 anos, e investigar o paradeiro de Sheila Rogers, a mulher por quem é apaixonado, e some misteriosamente. Com o FBI em seu encalço, Will torna-se testemunha, vítima e suspeito, tanto de ser cúmplice de Ken quanto do desaparecimento de Sheila. Conforme ele avança em sua investigação particular, descobre que todos os dramas de sua vida podem estar conectados de forma sombria

A linguagem dos textos de Coben é extremamente contagiante. O protagonista, ao narrar sua história, dialoga com o leito, expõe seus pontos de vista e pensamentos de forma bastante informal. A sensação é de que há um amigo sentado a sua frente, contando-lhe uma boa trama e você, fisgado, não consegue deixá-lo ir embora até o momento do ponto final.

Harlan Coben é um mestre em criar situações de enorme tensão e reviravoltas inesperadas. Desaparecido para Sempre exibe essa impressionante qualidade do autor, que, no final das contas, é a característica mais importante de um thriller. A cada página virada, uma novidade surge e, quando você acredita que está prestes a desvendar o mistério, a situação muda completamente. É um livro obrigatório para os amantes do tema.